O que a comunidade do remo defende, em sintonia com as comunidades mais afetadas pelas inundações, é que se execute o plano acordado em inúmeras reuniões ao longo dos anos de 2024 e 2025, qual seja: a recolocação da Comporta 14, com uma estrutura de ferro mais resistente e cujas revisões e manutenções se façam com mais constância, assim como as das casas de bombas… se o sistema existe, que pelo menos funcione conforme o projeto original e minimize os impactos em áreas que ficarão ainda mais isoladas e abandonadas caso ocorra o fechamento definitivo da Comporta14.
No fundo, não se trata apenas de um pretenso corporativismo de alguém que pratica o esporte do remo e ama as águas e ilhas do Guaíba, mas de uma defesa de uma parte da cidade que foi objetivamente esquecida e propositalmente tornada alheia à maior parte das comunidades que a circundam, em que pese os inúmeros projetos sociais que atendem crianças e jovens nos clubes de remo. Tampouco é uma defesa pura e simples de uma condição de mobilidade urbana que irá se perder, mas sim algo que se refere ao próprio planejamento da cidade, que deveria ser feito de forma muito mais participativa e integrada às comunidades, não como uso político eleitoral, mas como diálogo constante e permanente, a partir da apropriação do ambiente em que essas comunidades vivem (um ambiente frágil e suscetível, mas permeado de memórias, vidas e relações com um território).
Extinguir e concretar a Comporta 14 não diz respeito somente a questões hidrológicas, mas a uma discussão sobre planejamento urbano e sobre mais um espaço público, de caráter histórico, que será olvidado e em cuja esplanada e a partir do ‘Pavilhão de Chegadas’ se contempla a bela paisagem das águas entre as duas pontes.
